Sobre a Dra. · 25 fevereiro 2026

Minha história na Neurologia

Como escolhi a Neurologia e por que os Transtornos do Movimento se tornaram parte tão importante da minha trajetória.

Dra. Laís Bissoli Perini sentada em consultório

Escolher a Neurologia foi uma decisão que foi se tornando cada vez mais clara ao longo da minha formação.

Sempre me chamou atenção a forma como o exame neurológico transforma pequenos detalhes em informações importantes: a maneira de caminhar, um movimento involuntário, uma mudança na fala, na força ou na coordenação. Na Neurologia, observar e escutar fazem parte do diagnóstico.

Foi esse interesse que me levou à especialidade e, mais tarde, aos Transtornos do Movimento, área à qual hoje dedico parte importante da minha prática.

O caminho que me trouxe até aqui

Me formei em Medicina em Vila Velha, no Espírito Santo.

Depois, vim para Florianópolis para realizar minha residência médica em Neurologia no Hospital Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina (HU/UFSC).

Durante a residência, tive contato com diferentes áreas da Neurologia e percebi que havia uma delas que despertava em mim um interesse especial: os Transtornos do Movimento.

Foi então que segui para São Paulo, onde realizei fellowship em Transtornos do Movimento no IAMSPE, aprofundando minha formação no diagnóstico e tratamento de condições como Doença de Parkinson, tremores, distonias, tiques e outros distúrbios do movimento.

Hoje, de volta a Florianópolis, atuo como neurologista e mantenho os Transtornos do Movimento como uma das principais áreas da minha prática.

Minha dedicação aos Transtornos do Movimento

Os Transtornos do Movimento formam um grupo amplo de condições neurológicas que podem provocar tremor, lentidão, rigidez, movimentos involuntários, alterações da marcha e diferentes dificuldades no controle dos movimentos.

Entre as condições que acompanho estão:

  • Doença de Parkinson e outros parkinsonismos
  • Tremor essencial e outros tipos de tremor
  • Distonias
  • Doença de Huntington e outros tipos de coreias
  • Tiques e Síndrome de Tourette
  • Ataxias
  • Outros movimentos involuntários

É uma área que exige atenção aos detalhes. Muitas vezes, observar como um movimento acontece, em que situação aparece, o que o melhora ou piora e como ele interfere na rotina traz informações fundamentais para o diagnóstico.

Também é uma área em que o acompanhamento ao longo do tempo tem um papel muito importante. Na Doença de Parkinson, por exemplo, as necessidades mudam conforme os anos passam, e o tratamento precisa acompanhar essas mudanças.

Além da consulta neurológica

Minha atuação também inclui procedimentos e tratamentos específicos dentro da Neurologia.

Realizo aplicação de toxina botulínica para diferentes condições neurológicas, como distonias, espasticidade, espasmo hemifacial e outras indicações selecionadas.

Também atuo na avaliação e no acompanhamento de pacientes submetidos à Estimulação Cerebral Profunda (DBS).

Esses tratamentos não são indicados para todas as pessoas. A decisão depende do diagnóstico, dos sintomas, da resposta aos tratamentos anteriores e dos objetivos de cada paciente.

O que significa ser neurologista para mim

Uma consulta neurológica começa muito antes de qualquer exame complementar.

Começa ouvindo.

Muitas pessoas chegam à consulta depois de meses ou anos convivendo com um sintoma que ainda não conseguiram compreender. Outras já têm um diagnóstico, mas precisam entender melhor o que está acontecendo e quais caminhos existem a partir dali.

Nem sempre a resposta aparece imediatamente. A Neurologia exige raciocínio, observação e, algumas vezes, acompanhamento da evolução ao longo do tempo.

Por isso, procuro conduzir cada avaliação com atenção aos detalhes e explicar de forma clara o que estou pensando, quais são as possibilidades e por que determinada investigação ou tratamento está sendo proposto.

Acredito que compreender o próprio diagnóstico também faz parte do cuidado.

Informação também faz parte da Medicina

Foi dessa forma de enxergar a consulta que surgiu também o desejo de falar sobre Neurologia fora do consultório.

Informação médica de qualidade pode ajudar uma pessoa a reconhecer sintomas, compreender melhor um diagnóstico e participar de maneira mais consciente das decisões sobre o próprio tratamento.

Por isso, compartilho conteúdos sobre Neurologia e, especialmente, sobre Transtornos do Movimento, procurando traduzir assuntos complexos sem perder o rigor científico.

Este blog também nasce com esse propósito: ser um espaço de informação confiável e acessível para pacientes, familiares e pessoas interessadas em entender melhor o sistema nervoso e suas doenças.

Uma formação que continua

A Medicina muda. A Neurologia também.

Novos tratamentos surgem, critérios são revistos e o conhecimento sobre doenças que acompanho diariamente continua avançando.

Por isso, atualização científica não é uma etapa que terminou depois da residência ou da especialização. Ela faz parte da minha rotina como neurologista.

Meu objetivo é unir esse conhecimento técnico a uma medicina individualizada, que considere não apenas o diagnóstico, mas também a funcionalidade, a autonomia, a rotina e as prioridades de cada pessoa.

É assim que escolhi exercer a Neurologia e é assim que continuo construindo minha trajetória dentro dela.

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